A GASTRONOMIA NO RIO GRANDE DO NORTE

1.jpg

A gastronomia no Rio Grande do Norte

001.png

No primeiro post sobre o estudo da Hospitalidade do Rio Grande do Norte observamos que o local que pôde servir de fator benéfico à saúde foi a Escola Doméstica de Natal, fundada em 1914. Esta escola desde a sua criação serve de ponto de educação, encontro social, festas comemorativas, de confraternização e arrecadação de bens para problemas da comunidade. Quando se estuda o impacto de todos os fatores de hospitalidade de uma região há que considerar os fatores que motivaram um grupo de pessoas a manter, modificar ou perpetuar os seus costumes e hábitos.

Identificar o polo de interseção da gastronomia, do local social, a forma, os mecanismos que serviram de motivação e o sujeito principal é muito importante. Na maioria das vezes, é raro conseguir identificar o marco da hospitalidade. Entretanto, o professor Daladier Pessoa Cunha Lima ao escrever o livro sobre a vida de Noilde Ramalho – Uma História de Amor à Educação, nos lembra um papel importante que esta mulher desempenhou na história da cidade e estado do Rio Grande do Norte em geral.

Em 1914, foi fundada a Escola Doméstica de Natal. Com o objetivo de criar um conceito novo e intelectual nas mulheres, preparando-as para a vida em todos os aspectos, levando em conta o aspecto social da época. A jovem Noilde, aos 16 anos, deixa a sua cidade Nova Cruz e vai em rumo à cidade de Natal. Após um ano de conclusão do curso da Escola Doméstica de Natal, torna-se professora e ao longo do tempo passa a acumular funções e ministrar diversas disciplinas deste curso, como aulas de Cozinha Teórica e Prática, denominado Cueso Anexo, destinado às senhoras da sociedade. Há mais de 60 anos dirige a Escola. Também criou o Complexo Educacional Henrique Castriciano e a Faculdade Natalense para desenvolvimento do Rio Grande do Norte – FARN.

Conforme menciona Daladier, Noilde Ramalho exerceu uma influência no ambiente social da região. A Escola oferecia recepções às autoridades, as próprias alunas executavam cada passo do cerimonial, desde o serviço de mesa, comida, protocolo de etiqueta social. Sendo motivação de inúmeros banquetes e recepções, ao longo de uma vida conquistou e influenciou gerações. Foi palco de encontros marcantes como o do Presidente Getúlio Vargas e Franklin D. Roosevelt em Natal, a chegada de Adhemar de Barros, Embaixadores, o Presidente Café Filho, J.K., Castelo Branco, General Charles de Gaulle…

Entre diversos momentos históricos, presenciou a Segunda Guerra Mundial. Marco para a cidade de Natal que recebeu milhares de americanos que aos poucos influenciaram nos hábitos e na vida pacata dos natalenses. O custo de vida aumentou e os produtos alimentícios subiram de preços e ao mesmo tempo a vida social da cidade continuava ao comando de Noilde Ramalho.

Gastronomia de Natal

Muitos dos pratos típicos de Natal são baseados em peixes e frutos do mar como o camarão e a lagosta. Embora os pratos do sul sejam preparados com a mesma matéria-prima, os pratos de Natal apresentam um sabor diferente, pois levam outros temperos e ingredientes, tais como o leite de coco e azeite de dendê. Eles são guarnecidos com acompanhados como o feijão verde e a macaxeira.

Carne de Sol

Em séculos anteriores, antes da invenção de geladeiras, o povo do Nordeste desenvolveu uma técnica de salgar a carne para facilitar a sua conservação, dando origem ao que hoje se denomina carne de sol. Todas as partes da vaca podem ser salgadas. Nos melhores restaurantes são servidas as partes nobres, que por isso são muito macias. A carne de sol em geral vem em porções generosas (para três ou quatro pessoas), acompanhada em geral por arroz, feijão verde, macaxeira e farofa ou paçoca. É provavelmente o prato mais servido nos restaurantes de comida típica de Natal.

Paçoca

A paçoca, em Natal, não é o doce de amendoim que se conhece no restante de país. A paçoca é, basicamente, uma farofa composta de pedaços de carne de sol desfiada e farinha de mandioca, acrescida de temperos, como cebola e alho.

Tapioca

A tapioca é feita à base de goma de farinha de mandioca, prensada e levemente aquecida na chapa. Os habitantes locais (principalmente os de camadas sociais mais humildes) consumiam a tapioca pura, mas os turistas costumam encontrá-las com diversos tipos de recheios, doces e salgados: coco ralado, queijo coalho, carne de sol, frango, entre outros. A tapioca é encontrada em muitas padarias e lanchonetes, geralmente consumida como lanche.

Baião de dois

Simplificadamente, o baião de dois consiste no cozimento, na mesma panela, de primeiramente o feijão e em seguida o arroz, acrescidos de carne de sol, queijo coalho e outros temperos.

Ceia e café da manhã nordestino

Além de várias frutas e sucos locais, tal café geralmente inclui produtos como: tapioca, macaxeira cozida, charque (pedaços de carne de sol cozidos) ou paçoca, cuscuz (basicamente, farinha de milho cozida com leite) e outros.

Doces

Vários bolos e tortas são preparados à base de frutas e produtos regionais, como a macaxeira e o jerimum. Em Natal e na maioria do Nordeste, canjica é o doce de milho ralado (que em São Paulo se chama curau). O que em São Paulo se chama canjica (milho cozido em leite), em Natal é chamado mungunzá.

Alimentos típicos de Natal

  • Ingá

  • Mangaba

  • Araçá Cajá

  • Fruta-pão

  • Caju

  • Carambola

  • Graviola

  • Goiaba

  • Acerola

  • Dendê

  • Umbu

  • Tamarindo

  • Morangas

  • Mandioca (Aipim)

  • Inhame (Cará)

  • Mamão Camu-camu

Finalizo os posts sobre a hospitalidade brasileira no estado do Rio Grande do Norte. Se você ainda não conhece o estado, espero ter despertado a sua vontade em fazer as malas. Vamos continuar essa conversa nos comentários! Até a próxima.